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Respirando emoção dentro da árvore e da mente
Experimentar o shohin é completamente diferente de observar outro tipo de bonsai. O shohin exige um esforço para ser visto adequadamente. Precisamos nos curvar para vê-lo no nível correto, e precisamos chegar perto para observar os ricos detalhes da ramificação, nebari, da estrutura da casca e do posicionamento preciso da folhagem.
Alguns sentimentos vindos da natureza devem estar presentes na árvore. Para mim, deve trazer a sensação do grande carvalho que eu escalava quando era criança. Ele ainda está perto da praia e eu vou ocasionalmente até lá a passeio. Precisa trazer de volta memórias do sol brincando com a folhagem e a vista do chão enquanto eu sentava num galho com meus pés pendurados.
Eu tenho estes sentimentos quando eu olho meu pequeno Cotoneaster. É claro que eu não espero que outros tenham as mesmas sensações. Mas se a árvore é capaz de trazer estas memórias da natureza para minha mente, ela deve acordar memórias similares em outras pessoas que a observam. Todos nós não somos tão diferentes assim.
Os elementos que despertam estas sensações são em um certo grau, inexplicáveis. O seguinte deve promover alguns “insights”.
Em parte, isto depende do tipo de relação com a natureza que a pessoa possui, sua cultura, a área em que vive e como vive. O quê o musgo no vaso significa para você? É apenas musgo colocado no vaso para ficar bonito? Ou você vê a grama baixa debaixo da árvore da sua infância? Os galhos são apenas caprichosamente organizados ou você realmente vê uma árvore com o vento soprando através de suas folhas, fazendo-a dançar sob o sol?
Tudo depende de como você aborda a árvore no vaso. Devemos ter a mente aberta para que possamos receber o maior benefício de conhecer um bonsai. E no caso do shohin e mame, é um desafio receber e expressar estas emoções do pequeno volume de material.
Medido a partir da borda do vaso, o shohin não deve exceder 20 a 25 cm de altura, e apenas 7 cm é o limite para o mame.

Lonicera nitida - Idade: 1930
Homem ou árvore
Alguns anos atrás na exibição do WBC em Munique na Alemanha, eu tive o prazer de ver alguns belos bonsai em exibição. Enquanto eu me preparava para fotografar um bonsai feito por um conhecido e habilidoso bonsaista europeu, ele me reconheceu. Ele se aproximou e me pediu para fotografá-lo em frente à sua árvore.
Esta pequena história ilustra a diferença entre um homem dedicado à sua árvore e um homem dedicado a si mesmo. Você nunca será capaz de criar uma árvore com uma naturalidade convincente se você se colocar na frente da árvore. E a árvore nem ganhará, nem expressará as emoções que direcionam seus pensamentos do interior da sala para a natureza. Você precisa ser tocado. Não pela árvore, mas pelas habilidades do criador.
Naturalidade
A naturalidade esperada na árvore não está sempre presente quando observamos todos os bonsai presentes nas exibições. Normalmente são artísticos e poderosos, mas perdem em naturalidade.
Em 1999 eu viajei a Omiya no Japão, inicialmente para visitar o viveiro Seikou-en. Seikou-en pertence a Tomio Yamada, presidente da Omiya Bonsai Union. A naturalidade de seus bonsai é absolutamente surpreendente. Os bonsai pareciam que tinham sido simplesmente colocados em um vaso sem nunca ter sido tocados por mãos humanas. Além disso, a harmonia entre o vaso e a árvore era impressionante. Cada detalhe era executado com respeito pela árvore.
Desde esta visita, eu tenho procurado por esta qualidade em minhas árvores. E tenho primeiramente encontrado nos shohin. Pela necessidade de utilizar uma pequena quantidade de material, eu não sou estimulado a exacerbar minhas expressões. Com o shohin eu encontrei a “naturalidade natural” sem exibicionismos excessivos e artisticamente perturbadores. Eu tento trazer este hábito aos meus bonsai maiores, e desta forma minhas árvores menores ensinam-me a desenvolver meus bonsai maiores com melhores resultados.
A propósito, Seikou-en significa o som do jardim muito verde. Elegantemente, expressa a abordagem natural dada pelo Sr. Yamada. Escute este som e criará shohin dignos de serem apreciados.

Tomio Yamada em seu viveiro de bonsai.
Seikou-en em Omiya - Japão.
1999
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