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Manual do Bonsai

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INTRODUÇÃO

A palavra Bonsai, justamente por ser um ideograma, não possui plural.  BON=BANDEJA, SAI=ÁRVORE. Bonsai = “Árvore criada em bandeja (vaso)”.
Muitas das coisas belas deste mundo se criam a partir da própria destreza ou são transmitidas de geração em geração. A arte se baseia na sensibilidade, na visão e no tato. O bonsai mescla estes três sentidos e inspira paz e tranqüilidade. Além disso, o bonsai é uma terapia, já bastante indicada, onde esta nos ensina observação, cuidado e principalmente paciência.
O Bonsai é uma arte viva, sempre em formação. Cada bonsai é único, nunca encontraremos dois Bonsai idênticos. O Bonsai não deverá ser somente a fotocópia ou a imitação tridimensional de uma fotografia. Se for justo usar a natureza como modelo, o objetivo final deverá ser algo que foi estudado e refeito nas vossas mentes antes de iniciar a criar. Só neste caso se lhe pode chamar Arte.
A arte do Bonsai esta intimamente relacionada com a contínua observação. Tanto a observação de nossa inspiração, a natureza em si, quanto à de nossa própria arte. Talvez o mais fácil e importante meio de proteger-se de problemas é inspecionar as plantas regularmente e estar consciente do fato de que insetos e doenças geralmente não atacam plantas saudáveis e bem cuidadas.
Por suas características muito singulares é cada vez maior, em todo mundo, o número de pessoas interessadas em aprender a arte do Bonsai. Antigamente, o cultivo do Bonsai era considerado elitizado. Hoje, no entanto, ele é visto como arte e hobby pelo público em geral. Tornou-se popular nas grandes cidades, onde as pessoas têm pouco contato com a natureza.
Um dos principais itens a ser nunca esquecido, é o fato de que o Bonsai é uma árvore, e como qualquer árvore necessita de um ambiente ao máximo similar ao geral. O Bonsai deve permanecer o máximo possível em ambiente externo. Sua saúde depende exclusivamente do contato com o ambiente natural.
O fato de “aprisionarmos” uma árvore a um vaso, pode nos levar a pensar que esta sofre. Mas se os Bonsai não fossem fortes e saudáveis, como é que alguns exemplares poderiam ter sobrevivido por centenas de anos? Há registro de um bonsai ainda vivo, cuja idade aproximada é 1500 anos, em alguma casa na periferia de Tóquio (informação extraída da revista Veja). No Japão até um tempo atrás, uma família para se considerar com tradição deveria possuir um Bonsai de pelo menos 300 anos.
No bonsai o fator idade é bastante relevante. Muitas vezes torna-se difícil determinar a idade exata de um bonsai. Entretanto, a idade real não é fundamental. No Bonsai o que prevalece é a idade que a árvore aparenta ter. O verdadeiro artista é aquele que consegue, através de técnicas, “envelhecer” uma planta jovem. 
O Bonsai esteticamente perfeito é aquele que se pode encontrar um similar na natureza, em sua forma e tamanho originais.
Atualmente os bonsai são classificados por quatro portes: mini ou "mame" até 15 cm, pequenos medindo de 15 a 30 cm, médios com altura entre 30 e 60 cm e grandes com mais de 60 cm.

O PRIMEIRO ESTILO
Mário Alberto Garcia Leal.

Em uma exposição vários amigos mostravam e passavam um pouco da Arte Bonsai aos atentos visitantes quando, entre estes, aparece um conhecido bonsaísta que passa a fazer críticas a cada árvore que via. 
- Este "Jin" está mal-feito; a aramação deveria começar aqui; aquele vaso está muito grande para aquela planta...
Continuou implacável até chegar a uma árvore onde sua fúria apareceu por inteiro. 
- Mas o que é isto?! Uma árvore como esta não deveria estar em nenhuma exposição! De quem é?- perguntou.
- É do Sr Terada - respondeu um dos participantes, e enquanto respondia foi em direção ao dono da árvore e o chamou:
- Sr. Terada, fulano quer vê-lo e certamente ouví-lo. 
Tranqüilo o Sr. Terada, 68 anos, levantou-se de onde estava atendendo ao chamado.
- Como?! - pergunta o crítico - como o Senhor tem coragem de trazer uma planta como essa a uma exposição? 
- Não, não tive coragem, - responde calmamente - tive receio.
- Receio, realmente é o que se deve ter ao trazer uma árvore como esta a uma exposição. - atacou mordaz o crítico.
- Não, o Senhor não entendeu, - respondeu - não tive receio de trazê-la, meu receio é que não entendessem o "PRIMEIRO ESTILO". 
- O Senhor vai me perdoar mas, tenho certeza que entre todos os que aqui se encontram, ninguém conhece o "PRIMEIRO ESTILO". - contra ataca vitorioso o crítico. 
- Se assim for, - responde com ar de tristeza o Sr. Terada - precisaremos começar tudo de novo, pois o "PRIMEIRO ESTILO" que é o estilo desta maravilhosa árvore, não sofreu em nenhum instante a minha interferência no seu processo de desenvolvimento; ela é NATURAL, foi colhida como se apresenta e não acredito que ninguém esteja habilitado a criticar a NATUREZA. - e, valorizando a quem de fato não tinha valor, completa - Nem mesmo o Senhor. 
Virou-se e voltou calmamente para seu o lugar.

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