Finalizando a copa, procedemos a aramagem fina dos galhos secundários e terciários, com a arientação cuidadosa da folhagem.
Como a árvore apresentava-se vigorosa e a aramagem não apresentou grande impacto, optamos por efetuar o transplante já para um vaso de Bonsai. |
Além da técnica
Deixando de lado os conceitos meramente técnicos, vamos analisar os motivos da decisão de realizar semelhante transformação.
Antes do trabalho, o junípero possuía realmente inúmeras qualidades, ressaltando a folhagem saudável e compacta de grande efeito visual. Com seus 40 cm de altura era chamativo e atraente. Analisando porém com mais atenção, sua forma comum não remete à imagem de uma árvore marcada pelos anos e pelas adversidades. O formato do tronco reto e cilíndrico está presente no máximo em jovens árvores no início de seu desenvolvimento. A copa ampla contrasta com o tronco fino e contribui para a sensação de juventude. A grande assimetria na origem dos galhos e a presença de galhos grossos próximos ao ápice e orientados para baixo, tornam sua estrutura pouco natural e desagradável.
Certamente o bonsai não busca representar árvores comuns ou com estruturação e desenvolvimento matemático e perfeitamente simétrico. O movimento simétrico é mais monótono e pouco natural que sua ausência. Por outro lado, copas retas ou perfeitamente triangulares só são vistas quando há interferência humana.
A árvore bonsai representa a vitória de um guerreiro sobre o tempo e as adversidades. Quando presente, o movimento deve ser harmônico e natural, nunca simétrico. A copa perfeita à primeira vista, é formada pelo conjunto complementar de pequenas imperfeições. A beleza reside na assimetria balanceada e original. As marcas do tempo devem ser evidentes, mas sem perder a naturalidade.
O bonsai precisa contar uma história. A sua tranquilidade atual foi conseguida a duras penas, não apenas pela ação de elementos adversos, mas também pelo simples, porém implacável efeito do passar dos anos.
O artista precisa buscar esta história com imaginação e decisão, independente da utilização de técnicas mais ou menos radicais.
O tempo é um aliado com certeza, e a natureza sempre sabe o que faz, mas seus efeitos são maiores em nós que em nossas árvores e se sentarmos e esperarmos pela sua ajuda, poderemos não chegar a ver o resultado de nosso “esforço”. |