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A Vida Secreta Das Plantas

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Os resultados conflitantes conseguidos por tais
pesquisadores deixavam claro que a quantidade, a qualidade
e a duração da estimulação elétrica eram de fundamental
importância para cada tipo de forma vegetal. Mas, como os
físicos não dispunham de instrumental para medir seus
efeitos específicos e ainda não sabiam exatamente como
a eletricidade, art i f icial ou atmosférica, agia sobre as
plantas, o campo experimental f icou entregue a
horticultores empenhados e a simples curiosos. Mesmo
assim, continuaram a ser registradas várias observações que demonstravam que a vegetação tinha uma característica elétrica. Em 1859, um número do Gardener's Chronicle
londrino publicou a informação de que um brilho
súbito passava de uma verbena vermelha para outra,
acrescentando que a melhor ocasião para observar o
fenômeno eram os momentos crepusculares quando uma
tempestade se armava depois de muitos dias secos. Isso
val idava a observação, feita por Goethe, de que as papoulas orientais emitiam um brilho estranho ao crepúsculo. Só na última parte do século, na Alemanha, abriram-se novas
perspectivas sobre a exata natureza da eletricidade no ar,
que Lemonnier t inha descoberto. Julius Elster e Hans Gai t e l ,
especializando-se na emissão espontânea de radiação por
substâncias inorgânicas, que já se começava a chamar de
"radioatividade", deram início a um vasto estudo da eletricidade
atmosférica. Tal estudo iria revelar que o solo terrestre l ibera
continuamente no ar partículas eletricamente carregadas.
Chamadas de íons - palavra formada do particípio presente do
verbo grego ienai, que signi fica i r , andar -, essas partículas foram consideradas como átomos, grupos de átomos ou moléculas que, ganhando ou perdendo elétrons, passavam a ter uma carga posit iva ou negativa. A observação de que a atmosfera estava permanentemente cheia de eletricidade, feita por Lemonnier , encontrava enfim um tipo de explicação material. Em dias c laros e firmes, a terra tem uma carga elétrica negativa, ao passo que a da atmosfera é
positiva: os elétrons, em consequência, f luem do solo e das
plantas em direção ao céu. Durante as tempestades, a
polaridade se inverte, tornando-se positiva a terra, e negativa a base da camada de nuvens. Como, ao que se estima, há de 3000 a 4000 tempestades "elétricas", em qualquer momento dado, agitando a superfície do globo, as cargas perdidas pela terra nas zonas favorecidas por tempo ameno são assim substituídas,

estabelecendo-se um perfeito equilíbrio dos elementos
elétricos . Em decorrência desse fluxo de eletricidade em
mani festação constante, a voltagem, ou tensão elétrica,
aumenta nas altitudes maiores. Entre a cabeça de
um homem de 1,80 metro e o chão que pisa, é de 200 volts;
entre o topo do Empire State e as calçadas que o rodeiam,
de 40000; no intervalo entre as camadas mais baixas da
ionosfera e a superf ície da Terra, de 360.000. Ainda que
isso pareça uma ameaça, o perigo de choque é reduzido,
pois há pouca passagem de corrente. A maior di f iculdade,
para o aproveitamento desse vasto reservatório de energia,
é não dispormos ainda de um conhecimento exato de seu
funcionamento e das leis que governam suas operações.
Uma nova investida quanto à aplicação da eletricidade
atmosférica ao crescimento das plantas teve início
quando um cientista f inlandês de interesse ecléticos, Selin
Lemstrom, realizou quatro expedições às regiões
subpolares dos Spitsbergen, ao norte da Noruega, e da
Lapônia, de 1868 a 1884. Especialista em luz polar e
magnetismo terrestre, Lemstrom sugeriu que a
vegetação luxuriante dessas latitudes, atribuída pela
opinião popular aos dias longos de seus verões, estava
de fato relacionada ao que ele chamou de "violenta mani festação elétrica", a aurora boreal. Sabendo-se, já desde o tempo de Franklin, que as pontas afiladas exerciam uma atração especial sobre a eletricidade atmosférica -
observação que conduziu ao desenvolvimento de pára-raios -,
Lemstrom afirmou que "as pontas afiladas das plantas funcionam como pára-raios para captar a eletricidade atmosférica e faci l itar a troca de cargas entre o ar e o
solo". Estudando os anéis em cortes transversais de caules de
abetos, concluiu que seu crescimento anual correspondia
integralmente a períodos de aurora alta e atividade das
manchas solares, tornando-se os efeitos mais pronunciados à
medida que se avançava para o norte. Ao voltar para casa, disposto a confrontar suas observações e experiências, Lemstrom conectou uma série de flores em vasos de
metal a um gerador estático, usando para tanto, à guisa de
condutor aéreo, uma rede de fios posta cerca de 40 centímetros
acima delas e, à guisa de ligação de terra, uma haste f incada no chão. Outros vasos foram "abandonados à natureza". Depois de oito semanas, as plantas eletri f icadas revelavam um ganho em altura quase 50% superior ao das demais. Transferindo a aparelhagem para a horta, não só dobrou sua colheita de morangos como também notou que eles
ficavam mais doces; sua colheita de cevada, por outro lado,
aumentou em um terço.

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