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Plantas e
eletromagnetismo
Assim como respondem aos
comprimentos de onda da
música, as plantas são
continuamente afetadas pelos
comprimentos de onda do
espectro eletromagnético,
vindos da Terra, da Lua, dos
planetas, do cosmo e de um
sem-número de engenhos
concebidos pelo homem; resta
saber apenas com exatidão
quais os benéficos e quais os
prejudiciai s .
Uma tarde, por volta de
1730, um escritor e
astrônomo francês, Jean-
Jacques Dertous de
Mairan, regava uma
coleção de Mimosa pudica
em sua sala de estar em
Paris quando, para sua
surpresa, notou que o
desaparecimento do sol
parecia fazer com que as
folhas das plantas
sensitivas se retraíssem,
tal como quando tocadas
com a mão. Legítimo
pesquisador, admirado
por seu contemporâneo
Voltaire, Mairan não se
precipitou a concluir que
as plantas, com a chegada
da noite, estavam
simplesmente "indo
dormir". Em vez disso,
esperou que o sol se
erguesse de novo e
colocou duas de suas
plantas num armário
escuro. As folhas dessas
plantas - notou então -
permaneciam
normalmente abertas ao
meio-dia; ao pôr-do-sol, no
entanto, elas se retraíam com
a mesma rapidez observada
nas plantas que continuavam
sobre a mesa da sala. Mairan
concluiu que a dormideira ou
malícia devia ser capaz de
"sentir" o sol, ainda que o não
"visse".
Mas Mairan - cujas investigações
científicas iam desde o movimento
de rotação da Lua e as
propriedades físicas da aurora
boreal até a razão da
luminosidade do fósforo e as
peculiaridades do número 9 - não
soube esclarecer a causa do
fenômeno. Num relatório enviado
à Academia Francesa, sugeriu
insatisfatoriamente que suas
plantas deviam estar sob a
influência de um fator
desconhecido no universo, fator
ao qual talvez se sujeitassem
ainda os pacientes hospitalizados,
que em certas horas do dia
pareciam f icar extremamente
fracos.
Cerca de dois séculos e meio
depois, o Dr. John Ott, que dirige
o Instituto de Pesquisas sobre a
Luz e o Bem-estar Ambiental em
Sarasota, na Flórida, interessouse
pelas observações de Mairan,
que foi capaz de conf irmar, e quis
saber se a "energia desconhecida"
em questão penetraria uma massa
compacta de terra, a única
couraça reconhecidamente capaz
de bloquear a chamada "radiação
cósmica".
Ao meio-dia, Ott levou seis
pés de dormideira para o
fundo de uma mina, quase 200 metros abaixo da
superfície da Terra. Ao
contrário dos trancados
no armário de Mairan, os
espécimes subterrâneos
de Ott recolheram
imediatamente as folhas,
sem esperar pelo
crepúsculo; fizeram-no,
inclusive, quando ao
redor foram acessas
lâmpadas elétricas. Mas,
sobre a causa do
fenômeno, Ott continuou
na mesma escuridão que
seu predecessor francês, a
não ser por relacioná-lo
ao eletromagnetismo, do
qual pouco se sabia no
tempo de Mairan.
Tudo o que os
contemporâneos de Mairan
conheciam sobre a
eletricidade era o que lhes
tinha sido transmitido pelos
gregos em relação às
propriedades do âmbar
amarelo - ou élektron, como o
chamavam -, que atraía uma
pena ou um fiapo de palha
quando f r i ccionado
intensamente. Antes de
Aristóteles, já se sabia que a
magnesita ou pedra-ímã, um óxido de ferro preto, também
podia exercer uma atração
igualmente inexplicável sobre
limalhas de ferro. Como esse
material era abundantemente
encontrado numa região da Ásia Menor chamada
Magnésia, passou a ser
conhecido como magnes
lithos, ou pedra magnésia,
termo reduzido para magnes
em latim, magnet em inglês
(Magneto em português - N. do
T.).
O primeiro a vincular a
eletricidade ao magnetismo foi o
sábio do século XVI William
Gilbert, cuja perícia no
tratamento de doenças e erudição
filosófica valeram-lhe a
designação para médico da Rainha
Elizabeth I. Proclamando que o
próprio planeta era um magneto
globular, Gilbert atribuiu uma "alma" à pedra-ímã, posto que ela
era "parte e descendente dileta de
sua mãe animada, a Terra". O
sábio descobriu ainda que outros
materiais, além do âmbar
amarelo, eram capazes de atrair
objetos, quando friccionados,
qual i f icando-os de "elétricos" e
cunhando a expressão "força
elétrica" .
Durante séculos, as forças
atrativas do âmbar e da pedra-ímã
foram tomadas - fossem o que
fossem - por "fluídos etéreos
penetrantes" emitidos pelas
substâncias. Cinquenta anos após
as experiências de Mairan, Joseph
Priestley, conhecido sobretudo
como o descobridor do oxigêni o ,
escrevia em seu popular
compêndio de eletricidade:
A Terra e todos os corpos que nos
são familiares, sem exceção,
parecem conter certa quant idade
de um fluído supremamente
elástico e sutil que os filósofos
concordam em chamar de elétrico.
Fenômenos notáveis se originam
em qualquer corpo desde que se
altere, para mais ou para menos ,
seu conteúdo natural desse fluído.
Diz-se então que o corpo está eletrificado e ele é capaz de
apresentar aspectos que são
atribuídos à força da
eletricidade.
O verdadeiro conhecimento
do magnetismo evoluiu muito
pouco até o século XX. Como,
pouco antes da Primeira
Guerra Mundial, o Prof.
Silvanus Thompson declarou
numa conferência em
homenagem a Robert Boyle,
"as propriedades ocultas do
magnetismo, depois de terem
excitado a admiração da
humanidade por séculos,
continuam ocultas, e não
apenas por requererem ainda
investigações experimentais,
mas também por permanecer
inexplicada sua causa última". Um texto publicado
logo após a Segunda Guerra
Mundial pelo Museu da
Ciência e Indústria de
Chicago declara que os seres
humanos ainda não sabem por
que a Terra é um ímã, como
os materiais magnéticos são
afetados por ímãs distantes
deles, por que as correntes
elétricas têm à sua volta
campos magnéticos, nem
mesmo por que os átomos de
matéria, minúsculos como
são, dão forma a prodigiosos
volumes de espaço,
aparentemente vazios, onde a
energia se condensa.
Nos três séculos e meio
decorridos desde a publicação
da famosa obra de Gilbert De
magnete, muitas teorias
foram propostas para explicar
a origem do geomagnetismo,
mas nenhuma delas é satisfatória.
O mesmo pode ser dito a respeito
da física contemporânea, que
substituiu a idéia de um "fluído
etéreo" por um espectro de
radiações ondulatórias chamadas "radiações eletromagnéticas",
estendendo-se de enormes
macropulsações, cada qual com a
duração de várias centenas de
milhares de anos e com ondas de
milhões de quilômetros de
comprimento, até super-rápidas
pulsações energéticas que se
alternam 10 sextilhões de vezes
por segundo, com comprimentos
de onda infinitesimais que medem
a décima bilionésima parte de um
centímetro. As do primeiro tipo
são associadas a fenômenos como
a inversão do campo magnético
terrestre; as do segundo, à colisão
de átomos, em geral de hidrogênio
e hélio, que se movem a
velocidades incrivelmente altas e
se convertem na forma de energia
radiante chamada de "raios
cósmicos". Entre elas, estão
incontáveis faixas de ondas
energéticas, inclusive os raios
gama, que se originam nos
núcleos dos átomos; os raios x,
que se originam em suas camadas
exteriores; uma série de
frequências que, por serem
visualmente perceptíveis, são
chamadas de luz; e as frequências
usadas em rádio, tevê, radar e um
número cada vez maior de setores,
da pesquisa espacial à cozinha
eletrônica.
As ondas eletromagnéticas
diferem das ondas sonoras por se
transmitirem não só através da
matéria, mas também através do "nada", precipi tando-se a uma velocidade de 300 milhões de
quilômetros por segundo
através de vastas regiões do
cosmo que já se supôs
contivessem um meio
chamado "éter", mas que
agora são tidas por um vácuo
quase perfeito. Mas ninguém
explicou a inda como,
exatamente, se transmitem.
Como nos disse um físico
eminente, "nem conseguimos
entender o danado do
mecanismo".
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